É preciso inteligência. É preciso procurar o centro.
Medidas paliativas, band-aids em queimaduras de terceiro grau não vai adiantar. Tanto porque a sociedade não é como o corpo, auto-regenerativa. Se você escolher simplesmente ignorar o problema, ele não vai sumir, pois nós não agimos como anticorpos. Nós não conseguimos resolver nossos próprios problemas pessoais, quanto mais os sociais. Temos preguiça. preguiça de viver, preguiça de tentar, preguiça de fazer o que tem que ser feito. Temos medo. Medos pessoais. Medos sociais. Falamos que queremos sem querer; quiséssemos mesmo, já o teríamos feito. Não consigo deixar de convencer-me que somos nosso próprio vírus, nosso próprio flagelo; não consigo deixar de convencer-me que conseguimos destruir qualquer coisa que criamos, que conseguimos perverter o mais perfeito dos sistemas. Temos faro para as falhas, e falta de coragem para acabar com elas. Colocamos o band-aid, que vira e mexe é levantado, levando ainda mais bactérias para a ferida. Somos aproveitadores, animais egoístas que pensam que ainda precisam tirar o alimento do animal ao lado para sobreviver. Somos pré-históricos contemporâneos. Somos animais que pensam que são racionais, mas mal usa, mal querem a própria racionalidade. Somos burros, mesmo. Estamos sempre olhando pro lado errado, sempre perdendo uma energia preciosa, uma energia vital. Por quanto tempo manteremos os olhos no sangue, sem prestar atenção na ferida que o derrama? Sem prestar atenção no que causou a ferida? Quanto tempo choraremos o sangue, sem ter a coragem de passar o álcool necessário, sem a coragem de fazer o que tem de ser feito? Dói, é claro que dói. Demora, é claro que demora. Mas funciona. O band-aid esconde a ferida, mas apenas esconde. Enquanto isso, ela cresce. Até quando a covardia de olhar nos olhos do outro e prometer um band-aid maior? Até quando a burrice de protestar por maiores band-aids, cutucando a própria ferida, fazendo sangrar, mas sem coragem pra exigir o alcool que desinfeta, que possibilita a cura?
Sem a inteligência suficiente de tentar resolver definitivamente, que estamos cansados de adiamentos!
Que estamos cansados dessa inércia, dessa burrice, dessa superficialidade extrema, meu Deus!
Ê coragem de ver o que tem de ser visto e fazer o que se tem de fazer.
Ê eterna burrice de medo de coisas muito pequenas.
Ê seres humanos. Sempre fazendo besteiras e pensando que é herói.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
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